A Fé
Pentecostes: A Vinda do Espírito Santo
O que é Pentecostes, o seu significado e quando é celebrado: a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos, cinquenta dias depois da Páscoa, o nascimento da Igreja e os sete dons do Espírito, com os versículos de Atos na tradução de Figueiredo.

Pentecostes é a festa em que celebramos a vinda do Espírito Santo sobre os Apóstolos, cinquenta dias depois da Páscoa. Naquele dia, as línguas de fogo desceram sobre o Cenáculo, os pescadores da Galileia saíram a pregar a todas as nações, e três mil almas foram batizadas. É por isso que a Tradição chama Pentecostes o nascimento da Igreja. Reunidos como os Apóstolos, na expectativa do Consolador prometido, queremos aqui explicar o que é Pentecostes, qual o seu significado, quando é celebrado, e por que rezamos ao Espírito Santo com o antigo hino Veni Creator.
O que é Pentecostes
A palavra Pentecostes vem do grego pentecostē, "quinquagésimo". No calendário judaico, era a festa celebrada cinquenta dias depois da Páscoa, em memória da Lei dada no Sinai. Foi nesse dia, com Jerusalém cheia de peregrinos, que o Espírito Santo desceu sobre os discípulos reunidos. São Lucas narra o acontecimento no princípio dos Atos dos Apóstolos:
"E quando se completavam os dias de Pentecostes, estavam todos juntos num mesmo lugar. E de repente veio do Céu um estrondo, como de vento que assoprava com ímpeto, e encheu tôda a casa onde estavam assentados. E lhes apareceram repartidas umas como línguas de fogo, que repousou sôbre cada um dêles: E foram todos cheios do Espírito Santo, e começaram a falar em várias línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem." (Atos 2,1-4)
Pentecostes não é, pois, apenas uma festa do calendário: é o cumprimento de uma promessa. Antes de subir ao Céu, o Senhor ordenara aos Apóstolos que esperassem em Jerusalém o dom prometido: "vós sereis batizados no Espírito Santo, não muito depois dêstes dias" (Atos 1,5). Pentecostes é o dia em que essa promessa se realiza.
Quando é Pentecostes
Pentecostes é celebrado cinquenta dias depois do Domingo de Páscoa — sete semanas completas mais um dia. Como a data da Páscoa varia a cada ano, também a de Pentecostes muda, situando-se em geral entre meados de maio e meados de junho.
Pentecostes fecha o Tempo Pascal, os cinquenta dias de júbilo que vão da Ressurreição até à vinda do Espírito. No calendário tradicional, a festa é precedida por uma vigília e tem uma Oitava própria. É, com a Páscoa e o Natal, uma das três grandes solenidades do ano.
Quando é o Dia de Pentecostes em 2025 e 2026
Por estar ligado à Páscoa, o Domingo de Pentecostes cai em data móvel. Em 2025, a Páscoa foi a 20 de abril, de modo que o dia de Pentecostes em 2025 foi domingo, 8 de junho. Em 2026, com a Páscoa a 5 de abril, o Domingo de Pentecostes será a 24 de maio. Quem quiser conferir a data de qualquer ano basta contar cinquenta dias a partir do Domingo de Páscoa, incluindo o próprio dia da Ressurreição.
O significado de Pentecostes: o nascimento da Igreja
Qual é, então, o significado de Pentecostes? Antes daquele dia, os Apóstolos estavam fechados, temerosos, escondidos. Depois da descida do Espírito, tornaram-se testemunhas intrépidas. O mesmo Pedro que negara o Senhor levanta-se diante da multidão e prega abertamente:
"Porém Pedro em companhia dos onze, pôsto em pé, levantou a sua voz e lhes falou assim: Varões de Judéia, e todos os que habitais em Jerusalém, seja-vos isto notório, e com ouvidos atentos percebei as minhas palavras." (Atos 2,14)
O efeito é imediato. Homens "de tôdas as nações, que há debaixo do Céu" (Atos 2,5) ouvem cada um na sua própria língua as maravilhas de Deus — sinal de que o Evangelho é destinado a todos os povos, e de que a confusão de Babel está sendo desfeita na unidade da fé. E ao termo da pregação de Pedro, a graça opera a primeira grande colheita:
"E os que receberam a sua palavra, foram batizados: E ficaram agregadas naquele dia perto de três mil pessoas." (Atos 2,41)
Daí dizermos que em Pentecostes nasce visivelmente a Igreja. Aqueles três mil batizados formam a primeira comunidade cristã, e São Lucas descreve a sua vida com palavras que permanecem como modelo: "E êles perseveravam na doutrina dos Apóstolos, e na comunicação da fração do pão, e nas orações" (Atos 2,42). Doutrina, Eucaristia e oração: eis a Igreja, desde o seu primeiro dia.
Por que o Espírito Santo desceu no dia de Pentecostes
Não foi por acaso que o Espírito Santo desceu justamente no dia de Pentecostes. A festa judaica das semanas comemorava a Lei dada a Moisés no Sinai, cinquenta dias depois da primeira Páscoa, na saída do Egito. Ali Deus escrevera a Lei em tábuas de pedra, em meio a fogo e trovões. Agora, no mesmo dia, o Espírito desce em línguas de fogo e escreve a nova Lei, a da graça, não em pedra, mas nos corações dos fiéis, como anunciara o profeta Jeremias (cf. Jeremias 31,33). A escolha do dia é, portanto, providencial: o Antigo cede lugar ao Novo, e a aliança do Sinai cumpre-se na aliança do Espírito. Acrescente-se a razão histórica: Jerusalém estava então cheia de peregrinos "de tôdas as nações" (Atos 2,5), de sorte que a pregação dos Apóstolos pôde alcançar, num só dia, homens de todos os povos.
O Espírito Santo, o Consolador prometido
O Espírito que desce em Pentecostes não é uma força impessoal, mas a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, que professamos no Credo. O próprio Senhor, na última Ceia, o havia anunciado com o nome de Paráclito, isto é, Advogado e Consolador:
"E eu rogarei ao Pai, e êle vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco." (João 14,16)
E precisou qual seria a sua obra: "Mas o Consolador, que é o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, êle vos ensinará tôdas as coisas, e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito" (João 14,26). O Espírito não traz uma doutrina nova: ilumina, recorda e dá força para viver o que Cristo ensinou. É Ele quem santifica a Igreja e habita na alma do batizado em estado de graça.
Os sete dons do Espírito Santo
A Tradição, fundada na profecia de Isaías, reconhece sete dons do Espírito Santo, derramados na alma pelo Batismo e fortalecidos na Confirmação. O profeta os enumera ao falar do rebento de Jessé, que é o Cristo:
"E descansará sôbre êle o espírito do Senhor: Espírito de sabedoria e de entendimento, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de ciência e de piedade, e enchê-lo-á o espírito do temor do Senhor." (Isaías 11,2-3)
Daqui a Igreja extrai os sete dons: sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. Por eles a alma se torna dócil às inspirações do Espírito, e os mesmos dons que repousaram sobre Cristo em plenitude são comunicados, em medida, a cada cristão.
Aos dons correspondem os frutos, as virtudes maduras nascidas da ação do Espírito, que São Paulo enumera aos Gálatas — "A caridade, o gôzo, a paz, a paciência (...) a mansidão, a fidelidade, a modéstia, a continência, a castidade" (Gálatas 5,22-23). Onde o Espírito reina, estes são os sinais.
O Veni Creator: a oração ao Espírito Santo
De todas as orações ao Espírito Santo, nenhuma é mais venerável do que o hino Veni Creator Spiritus — "Vinde, Espírito Criador". Atribuído a Rábano Mauro, no século IX, a Igreja canta-o nas Vésperas de Pentecostes, na ordenação dos sacerdotes e no início de toda obra que reclame a luz de Deus. As suas estrofes pedem precisamente os dons que acabamos de enumerar:
Veni, Creator Spiritus, / mentes tuorum visita, / imple superna gratia / quae tu creasti pectora.
Vinde, Espírito Criador, / visitai as almas dos vossos, / enchei da graça celeste / os corações que criastes.
Quem reza o Ofício Divino reencontra esta súplica ao longo do ano; pode conhecer essa oração da Igreja em Divinum Officium. E quem dá início ao dia com as orações da manhã faz bem em invocar o Espírito antes de qualquer trabalho, fechando-o à noite com as orações da noite.
A Sequência de Pentecostes: o Veni Sancte Spiritus
Além do Veni Creator, a Missa do Domingo de Pentecostes tem a sua própria Sequência, o Veni Sancte Spiritus, cantada antes do Evangelho. É um dos quatro hinos que a liturgia tradicional conservou como sequências, e talvez o mais belo de todos — a tradição chama-lhe Sequentia aurea, "a Sequência de ouro". Atribuído a Estêvão Langton (séc. XIII), pede ao Espírito que venha consolar, lavar, curar e inflamar a alma. Eis as primeiras estrofes, com a tradução:
Veni, Sancte Spiritus, / et emitte caelitus / lucis tuae radium. / Veni, pater pauperum, / veni, dator munerum, / veni, lumen cordium.
Vinde, Espírito Santo, / e enviai do alto do Céu / um raio da vossa luz. / Vinde, pai dos pobres, / vinde, doador das graças, / vinde, luz dos corações.
A Sequência de Pentecostes termina pedindo expressamente os sete dons: "Dai aos vossos fiéis, que em Vós confiam, os sete dons sagrados" (Da tuis fidelibus, in te confidentibus, sacrum septenarium). Não se confunda, pois, o Veni Sancte Spiritus (a Sequência da Missa) com o Veni Creator (o hino das Vésperas): são duas orações distintas, ambas próprias desta festa.
A Novena de Pentecostes ao Espírito Santo
A Novena de Pentecostes é a mais antiga de todas as novenas: nasce do próprio Evangelho. Os Apóstolos, com Nossa Senhora, passaram nove dias no Cenáculo, em oração, entre a Ascensão e a vinda do Espírito (cf. Atos 1,14). Imitando-os, a Igreja reza uma novena nos nove dias que precedem a festa, começando na sexta-feira depois da Ascensão e terminando no sábado, véspera de Pentecostes.
A forma tradicional é simples e está ao alcance de todos. Cada dia pode rezar-se o hino Veni Creator, meditar-se um dos sete dons do Espírito e concluir com uma breve oração de pedido. Uma fórmula antiga e muito difundida é a seguinte:
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor.
V. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado.
R. E renovareis a face da terra.
Quem deseja a Novena de Pentecostes em PDF encontrará no aplicativo Iter Fidei o roteiro completo, dia a dia, com o Veni Creator em latim e português e a meditação dos dons.
Nossa Senhora de Pentecostes
A Sagrada Escritura coloca Nossa Senhora no centro do Cenáculo, em oração com os Apóstolos à espera do Espírito: "Tôdas estas pessoas perseveravam unanimemente em oração (...) com Maria, Mãe de Jesus" (Atos 1,14). É por isso que a piedade católica venera Nossa Senhora de Pentecostes — a Virgem que, tendo concebido o Verbo pela ação do Espírito Santo na Anunciação, preside agora à descida do mesmo Espírito sobre a Igreja nascente. As antigas pinturas da festa representam-na quase sempre no meio dos onze, sob as línguas de fogo. Quem reza o Rosário recorda este mistério e pede, com Maria, a vinda do Consolador.
A festa de Pentecostes nos lembra que a fé não é obra das nossas forças. Foi o Espírito quem transformou os Apóstolos, e é o mesmo Espírito que age hoje no batizado. Por isso, nas vésperas desta solenidade, voltamos sempre ao mesmo pedido: que o Consolador venha, habite e nos faça testemunhas — como fez com os onze em Jerusalém.
Perguntas Frequentes
O que é Pentecostes?
Pentecostes é a festa cristã que celebra a vinda do Espírito Santo sobre os Apóstolos, cinquenta dias depois da Páscoa. Naquele dia, segundo Atos 2, desceram sobre eles "umas como línguas de fogo" e todos "foram cheios do Espírito Santo". É considerada o nascimento da Igreja, pois nesse mesmo dia três mil pessoas foram batizadas pela pregação de São Pedro.
Quando é Pentecostes?
Pentecostes é celebrado cinquenta dias depois do Domingo de Páscoa, ou seja, sete semanas completas mais um dia. Como a data da Páscoa muda a cada ano, a de Pentecostes também varia, situando-se geralmente entre meados de maio e meados de junho. A festa encerra o Tempo Pascal.
Por que Pentecostes é chamado o nascimento da Igreja?
Porque foi nesse dia que os Apóstolos, fortalecidos pelo Espírito, começaram a pregar publicamente o Evangelho. Da primeira pregação de Pedro nasceu a primeira comunidade cristã: "E os que receberam a sua palavra, foram batizados: E ficaram agregadas naquele dia perto de três mil pessoas" (Atos 2,41).
Quais são os sete dons do Espírito Santo?
Os sete dons do Espírito Santo são sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. A Igreja os extrai da profecia de Isaías 11,2-3 e ensina que são infundidos na alma pelo Batismo e fortalecidos pela Confirmação, tornando o cristão dócil às inspirações divinas.
Qual é a oração própria do Espírito Santo?
A oração mais venerável ao Espírito Santo é o hino Veni Creator Spiritus ("Vinde, Espírito Criador"), do século IX, cantado pela Igreja nas Vésperas de Pentecostes e em todo começo de obra importante. É costume também invocá-lo no início do dia, entre as orações da manhã.
Qual é a diferença entre Pentecostes e a Páscoa?
A Páscoa celebra a Ressurreição de Cristo; Pentecostes celebra a vinda do Espírito Santo, cinquenta dias depois. As duas festas estão unidas: o tempo que vai de uma à outra forma o Tempo Pascal, e Pentecostes é o seu coroamento.
O que é Pentecostes na Bíblia?
Na Bíblia, Pentecostes aparece em dois sentidos. No Antigo Testamento, era a festa judaica das semanas, celebrada cinquenta dias depois da Páscoa, em ação de graças pela colheita e em memória da Lei dada no Sinai. No Novo Testamento, Atos 2 narra que foi nesse dia que o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos em forma de línguas de fogo — o cumprimento da promessa de Cristo e o nascimento da Igreja.
Quando é o Domingo de Pentecostes em 2026?
Em 2026, o Domingo de Pentecostes será no dia 24 de maio. A data muda a cada ano por estar ligada à Páscoa: conta-se sempre cinquenta dias a partir do Domingo de Páscoa, incluindo o próprio dia da Ressurreição. Em 2025, Pentecostes havia caído em 8 de junho.
Por que o Espírito Santo desceu no dia de Pentecostes?
Porque nesse dia os judeus celebravam a Lei dada por Deus a Moisés no Sinai, cinquenta dias depois da Páscoa. Ao descer justamente em Pentecostes, em línguas de fogo, o Espírito Santo manifestou que vinha escrever a nova Lei não em tábuas de pedra, mas nos corações dos fiéis. Além disso, Jerusalém estava cheia de peregrinos de todas as nações, e assim a pregação dos Apóstolos pôde alcançar muitos povos num só dia.
O que é a sequência de Pentecostes?
A sequência de Pentecostes é o hino Veni Sancte Spiritus ("Vinde, Espírito Santo"), cantado na Missa do Domingo de Pentecostes antes do Evangelho. Atribuído a Estêvão Langton no século XIII, é chamado pela tradição a "Sequência de ouro". Não se confunde com o Veni Creator, que é o hino das Vésperas: são duas orações distintas da mesma festa.
Como se reza a novena de Pentecostes?
A novena de Pentecostes é rezada nos nove dias entre a Ascensão e a festa, começando na sexta-feira após a Ascensão e terminando na véspera de Pentecostes. Imita os Apóstolos, que oraram nove dias no Cenáculo com Nossa Senhora à espera do Espírito (Atos 1,14). Em cada dia costuma-se rezar o Veni Creator, meditar um dos sete dons e concluir com a oração "Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis".
Por que Nossa Senhora é venerada em Pentecostes?
Porque a Sagrada Escritura a coloca no Cenáculo, em oração com os Apóstolos à espera do Espírito Santo (Atos 1,14). Tendo concebido o Verbo pela ação do Espírito na Anunciação, Maria preside à descida do mesmo Espírito sobre a Igreja nascente. Por isso a piedade católica a venera como Nossa Senhora de Pentecostes, e as antigas pinturas da festa representam-na sempre no meio dos onze Apóstolos.
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Fontes. Bíblia Sagrada, tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (Atos 1,5; 2,1-5.14.41-42; João 14,16.26; Isaías 11,2-3; Gálatas 5,22-23). Catecismo Romano (Catecismo do Concílio de Trento, 1566), sobre o Símbolo dos Apóstolos, artigo VIII, "Creio no Espírito Santo". Catecismo de São Pio X (1908), sobre os dons e frutos do Espírito Santo. Hino Veni Creator Spiritus, atribuído a Rábano Mauro (séc. IX). Sequência Veni Sancte Spiritus, atribuída a Estêvão Langton (séc. XIII), do próprio da Missa de Pentecostes (Missale Romanum). Sobre a permanência de Maria e dos Apóstolos no Cenáculo, Atos 1,14. Para os versículos de fé, veja também versículos de fé.